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Oficina de Papel Artesanal do Armazém das oficinas produz flores a partir de bitucas de cigarro

Matéria-prima é resultado de tecnologia pioneira brasileira.

Por Larissa Biondi

Em agosto de 2019, o Armazém das Oficinas começou a comercializar as flores de bitucas recicladas, confeccionadas pelos artesãos portadores de transtornos mentais ou dependentes químicos da Oficina de Papel, localizada nas dependências do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira. O processo de reciclagem das bitucas é realizado por ação de tecnologia brasileira e é o único no mundo.De acordo com Marcos Poiato, fundador da empresa Poiato Recicla, pioneira na reciclagem de resíduos de cigarro, as bitucas são o lixo mais tóxico do planeta, superando, até mesmo, o lixo hospitalar. Quando aceso, um cigarro contamina o ar; quando descartado de maneira irresponsável, ele contamina o solo e a água, provoca queimadas e, além disso, pode ser ingerido por animais. Dessa forma, o descarte responsável, a coleta e a reciclagem se fazem necessários na luta a favor do meio ambiente.

A confecção das flores se deu a partir da parceria da Poiato Recicla com a instituição, como conta Ana Paula Ferreira, monitora da Oficina de Papel: “eles começaram a fazer a coleta e a reciclagem das bitucas e eles estavam procurando alguma instituição que trabalhasse com a reciclagem de papel. […] e aí eles passaram a doar pra gente as bitucas, a celulose.
A reciclagem das bitucas é realizada em uma usina e consiste em duas etapas: um processo químico e o de cozimento. Durante essas etapas, toda a toxicidade das bitucas é retirada e elas se transformam na massa celulósica, que é levada posteriormente até a Oficina de Papel. Paula também acrescenta que o processo para a confecção dos trabalhos artesanais não se encerra na usina: “a gente pica a massa, deixa de molho por 24 horas e aí bate no liquidificador. Depois de bater, podemos tingir ou tirar ela naturalmente”.

flores de papeis reciclados
flores de fitros de cigarros

A confecção das flores feitas a partir do material reciclado não causa impacto positivo apenas do ponto de vista ambiental; as vendas dos trabalhos artesanais são revertidas em bolsa-oficina para os artesãos. Dessa forma, eles garantem tanto a geração de renda pessoal, quanto a inclusão social, visto que todo o trabalho é feito em equipe: “aqui dentro nós somos uma equipe, todo mundo trabalha, cada um tem a sua tarefa. Se aquele não fizer o papel, o de cá não tem as coisas pra trabalhar. Um depende um do outro”, conta Celeste da Cruz, artesã da Oficina há dois anos.

É nesse espírito de trabalho em equipe e amizade, que os artesãos atingem um aumento da autoestima: “graças a Deus me encaminharam pra cá, onde eu posso vir todo dia, me sentir alguém na vida. Lá fora a gente é desvalorizado, mas aqui a gente tem um valor muito grande e isso me faz muito feliz, eu gosto muito daqui” conta Celeste. Com Cristiane Juliano Pereira, não é diferente. Há cinco meses na oficina, ela afirma: “aqui eu encontrei uma valorização enquanto ser humano e gosto do que eu faço, faço com amor e eu acho que é gratificante“.

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1 comentário em “Armazém das Oficinas produz flores artesanais a partir de bitucas de cigarro”

  1. Ana Maria Pires Soares de Camargo

    Eu conheci e fiquei maravilhada com o trabalho desenvolvido pelas oficinas do Cândido Ferreira
    Eu conheci a instituição há muito tempo atrás e fiquei emocionada com a transformação que houve
    Parabéns pra todos envolvidos no trabalho principalmente pela visão humana que mudou a vida dos internos e dos profissionais da saúde mental .

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